ELE PESCOU, FESTOU, ADOROU DEUS, CHURRASQUEIRO TALENTOSO, NOS DEIXOU EM 2009

por Amauri Zanforlim, 04/08 às 02:50 em Notícias

João Batista, filho de Rosa de Grande Calcanho e Ângelo Calcanho, descendência italiana, nasceu em 24-08-1927, falava com saudades dos parentes deixados na Itália.

Quando criança presenciou a primeira missa na capela Santo Antônio, no momento havia apenas o cruzeiro, para depois ser feita a igreja.

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, rezava em latim. Casou com Dirce de Carvalho Batista e tiveram oito filhos, Fátima, Neide, Vanda, Cleide, Dalva, Dário, Adauto, Odair, netos e bisnetos, uma união feliz e duradoura, daquelas que Deus abençoou a superar as diferenças, ceder, respeitar, segredo de longevidade e de uma união estável.

Trabalhou plenamente nas fazendas em plantações de arroz, soja, algodão …

Pescador hábil e talentoso, marido fiel, pai participativo, avô e bisavô presente em nossas vidas.

Ainda recordo dos momentos felizes de pesca, da sabedoria de vida, das histórias de viagem ao Mato Grosso com os cunhados.

Do bolso carregado de balas, do sorriso feliz e radiante, do lado menino...

Passei a infância, vendo a casa cheia de amigos, da conversa alta aos domingos, quando reunia em sua casa, filhos, netos, amigos ..

Também me lembro, recolhendo na área de sua casa, vendedores, conhecidos e andarilhos, nesta casa simples de pessoa honesta.

Casa alegre, cheiro de churrasco, aguçando a vizinhança, meu avô churrasqueiro talentoso, de fama feita e adquirida por pessoas que seu churrasco aprovou. Assava carne em casamentos, formaturas e festas da família.

Nunca faltou alimento e com ele aprendi “Onde come um... come dois” e, sempre houve fartura...

Um dia após uma viagem com os filhos, meu avô chegou, com o borná cheio de sementes, folhas, caracóis, pedrinhas diferentes, frutas exóticas, que só tinha nas terras do Mato Grosso e muitas histórias para contar, como sempre fazia...

Trouxe para casa e explicava cada uma delas, fazia mistura com folhas e álcool, para cura de machucados, colecionava moedas que trocava com seu bisneto.

Também ensinou que a vida é breve... e que um dia todos são chamados na presença de Deus e vivia dizendo:

       Morreu, feijão no fogo para quem fica!

Revelando na sabedoria popular, que a vida é passageira...para os que ficam, devem continuar a viver e seguir em busca da realização de seus sonhos.

Uma noite, não acordou muito bem, para o hospital foi...a noite dormiu... e acordou no dia 20-07-2009 nos braços de Deus, com certeza nesta noite, quanto a nós, ficou os bons momentos, a sabedoria e a luta do dia a dia, também a saudade tremenda de um tempo que não volta mais.

Mas a história continuou... pessoas chegavam em mim e falava de chás, ervas para banho que havia trazido e de muitos favores que havia feito, sem pedir nada em troca.

Trazer esta história simples, mas de uma leveza...não tem preço, pois traz em sí a doçura de um cidadão  honesto e  verdadeiro...desses que muitas vezes passam despercebidos, mas que aqui tenho a oportunidade e o orgulho de contar.

Sabendo da sua relação íntima com a vida, das plantas que plantou, que continuam vivas em casa, da história, da alegria... que deixou em nossos corações, precisava dividir, para que outras pessoas pudessem sentir a mesma emoção que sinto ao lembrar com carinho do meu avô querido.

Fonte: Priscila Marina Correa Os cálices

 

 

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